Quem não já viu uma chamada num site ou numa revista do tipo “Faça seu salário render ao máximo”. Já ficamos animados com a chamada, mas aí vem o subtítulo: “133 opções (oba! opção pra caramba!) de investimento para quem ganha 2 500, 5 000, 7 000 e mais de 10 000 reais”
Ah, peralá! E se você, como eu, ganha entre 1 e 5 salários mínimos? Não tem opções de investimentos?
A matéria em questão é da revista Você S/A, de setembro de 2007. Ela começa com a seguinte frase: “É comum não estar satisfeito com o salário. Assim como é bem difícil ultimamente arrancar um bom aumento.” Uia!! Eu com certeza ficaria satisfeito com o menor valor relatado na capa da revista, hehehe.
Tá certo, alguém vai dizer que quando eu passar a ganhar 2 500 (Deus te ouça!!) eu terei outras necessidades. É bem verdade, eu seria um a dizer isso. Começei com 16 anos ganhando uns 100 reais, acho que era o valor do salário mínimo na época, não me lembro. E estava bom demais pra quem só tinha alguns trocados dado pelo pai pra comprar um pacote de biscoitos de vez em quando e dependi da comida em casa pra se alimentar e se a família fosse sair pra algum lugar pra se divertir.
Depois o salário foi crescendo… Quando passei a ganhar uns duzentos e poucos reais eu disse a mesma frase que disse logo ali atrás: “eu com certeza ficaria satisfeito em ganhar essa quantia”. Logo vieram as dívidas e minha estréia no Serviço de Proteção ao Crédito…
Claro que as prioridades mudam. Depende muito também da forma como você vive. Hoje sou casado e tenho que manter uma casa. Ainda bem que minha esposa também trabalha ou eu não teria condições de estar em casa hoje escrevendo este pseudo-artigo no meu PC (entendeu? internet banda larga em casa, pelo menos isso).
E sempre vem algo mais: oba! Ganhei um aumento, vamos colocar internet em casa, vamos comprar uma TV melhor, vamos comprar um DVD, afinal, todo mundo tem DVD em casa, vamos nos divertir no paintball domingo (experiência recente, foi divertido, mas fui com a intenção de gastar 40 reais e gastei 100!!!), vamos comprar, vamos comprar, vamos sair, vamos gastar…
Acho que é a velha ligação: mais poder de compra = mais compras. Eu sempre me pergunto: há alguns anos… nem preciso ir tão longe: no ano passado eu ganhava menos e estava conseguindo cuidar das contas, agora que ganho mais (mas nem tanto, só pra avisar) as contas se abarrotaram na pasta de contas e passaram a ser pagas com atraso. Sem contar que meu nome continua listado lá no SERASA e não consigo um saldo para negociar e pagar a dívida… O que acontece?
Tá, a questão não é somente o salário, há infinitos fatores que podem ser somados para explicar esse aumento de contas. Um exemplo só pra não ficar só na palavra: faculdade. Não fazíamos faculdade porque não tínhamos condições de pagar. Quando a condição veio, a Cris entrou na faculdade, faz pedagogia. Lá e vai mais uma conta que “não precisávamos”? O fato é que não são novas contas que não tínhamos, mas não a tínhamos porque não podíamos, mas precisávamos… Agora eu acabo de me inscrever no vestibular da Unopar Virtual, mais uma conta em breve… e o meu salário ainda não aumentou…
Mas voltando ao assunto, a matéria continua: “o segredo é decidir o que você quer fazer com o seu dinheiro – trocar de carro, decorar a casa, viajar para um país exótico etc.” É, já vi que a matéria não foi feita pra mim. Paro por aqui.