Tá. O LHC é o assunto da semana. Do mês. Do século. Do milênio…

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Apesar de ter sua construção iniciada no milênio passado, só na semana anterior ao “Power On” a mídia resolver atacar de “estamos avisando: é o fim do mundo”.
Antes mesmo de toda essa euforia sobre o LHC, a Super Interessante já havia publicado um quadro sobre possibilidades do fim dos tempos e uma delas era o LHC. Alguém deu bola?
Mas pior que tentar explicar a alguém sobre o funcionamento do e a impossibilidade de o mesmo engolir a Terra, é tentar explicar “pra quê afinal isso vai servir pra gente”?
Minha esposa é uma que ainda não se contentou com minhas tentativas de explicação. Ela imagina inclusive a possibilidade de os experimentos do LHC gerarem uma nova arma de destruição (???). Lembram da bomba atômica? Os experimentos sobre a energia atômica serviram a muitos propósitos, inclusive para a criação do cogumelo (que a imagem mais linda que já vi de um cogumelo atômico foi no recente filme do Indy). Pois bem: “é para o bem, mas o homem pode usar para o mal”.
Tá certo, riscos existem, concordei. Mas isto é inerente ao ser humano. Não podemos deixar de experimentar, de imaginar, de criar algo, porque haverá a possibilidade de isto se voltar contra nós. Utilizei algo mais simples, criado por Deus: nós mesmos. Menos ainda: minha mão. Posso usar minha mão para acariciar uma criança. Também posso usar minha mão para bater nessa mesma criança. Diante desta possibilidade, devo cortar minha mão fora?
Tá, e pra quê então o LHC vai servir pra gente? Esta ótima pergunta me fez vasculhar um pouco a internet e achar um ótimo blog de ciências: o Polegar Opositor.
Lendo alguns artigos do blog – e me sentindo novamente no auge do meus 13, 14 anos, quando sonhava em ser cientista – aprendi a diferença entre as ciências aplicadas e as ciências de base.
Quando você me pergunta “pra quê o LHC vai servir, afinal”, você está em busca de uma resposta dada pela ciência aplicada. Aquilo que vai lhe dar um retorno palpável. A pesquisa pela cura da Aids, por exemplo.
Mas para a ciência aplicada funcionar, ela precisa da base. Afinal, os cientistas deverão conhecer sobre antibióticos, saúde, vírus e mais um monte de coisas de base para poder saber onde e como procurar pela cura da Aids.
E é nesse ponto que entra o LHC. E a melhor explicação é dada pelo Thiago Henrique Santos, no Polegar Opositor. Leitura altamente recomendada.
E para se aprofundar mais em ciências aplicadas e ciências de base e aprender a dar a devida importância, recomendo a leitura do artigo “Ciência básica: então, mas você vai estudar isso pra quê?“, da cientista Laura Rocha Prado, também no blog Polegar Opositor.
Enquanto isso, a mídia começa o trabalho apocalíptico de matar pessoas. Sempre acreditei que a mídia seria a grande responsável por grandes catástrofes. Então não coloquem a culpa do suicídio da jovem indiana no LHC. Coloquem na mídia supersticiosa daquele país e na falta de cultura daquela família. E me perdoem pelos termos. Parte dele vem do G1 mesmo: “… na Índia, que é profundamente religiosa e supersticiosa, o medo em relação à experiência se espalhou graças à mídia.”. Você vai me dizer: a mídia não tem culpa… Em parte, por isso completei com a “falta de cultura”. É uma soma desastrosa: má informação + ignorância.
E aí me vem mais uma notícia: hackers atacam máquina do fim do mundo. Esses tais nem sequer podem sustentar o “título”de hackers com essas ações. A descrição “oficial” de hacker indica uma pessoa com sede de conhecimento. Aquele que quer saber a fundo, que vai além. Sua busca é por conhecimento. Quem faz uma ação dessas, movido por ideologias ou não, não pode dizer que tem ou busca conhecimento.
Por fim, sugiro veementemente a leitura do artigo “Grande Colisor de Hádrons: O fim… do começo… do fim…“, muito bem escrito por Kentaro Mori para o Dúvida Razoável, do blog Sedentário e Hiperativo, texto que explica o que pode e não pode acontecer com o funcionamento do LHC.
Conhecimento é sempre bom e não mata ninguém.












