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Tarcisio Cavalcante

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Sem campanha, o Brasil não lava as mãos

Por Tarcísio Cavalcante agosto - 24 - 2006

Sem “campanha” o Brasil não anda. Vivemos de campanha em campanha. Para cada problema uma campanha. Termina a campanha e nenhuma rotina se estabelece. O problema retorna. Nova campanha. Para vacinar o gado, campanha nacional de erradicação da febre aftosa. Para vacinar as crianças, campanha nacional de vacinação. Dia “D” da campanha nacional contra a dengue e até campanha nacional pela ética na política (sic)! A solução para o baixo uso do cinto de segurança? Nova campanha pelo uso do cinto. Até quando viveremos de campanha? Sem campanha a dengue volta, a aftosa ataca, as crianças morrem. Quando ficaremos adultos o suficiente para entender que a vida exige rotinas, disciplina, padrões que têm que ser mantidos sempre, sem campanha?

Ninguém ganha com essa nossa “pseudo-criatividade”, em que nada é mantido, seguido. Temos em todos os lugares e em todas as instituições – e até em empresas – milhares de “agentes de mudança” que se orgulham disso. Mas estamos precisando de “agentes de continuidade”, de consistência e permanência de coisas que simplesmente não devem e não podem mudar.

Essa “cultura de campanha” está fazendo com que ninguém cumpra sua obrigação como um dever ético ou mesmo moral. A ausência de rotinas extrapolou para um sistema de quase corrupção, no qual as pessoas só fazem as coisas se forem “incentivadas” por uma campanha ou, talvez, uma forma exótica de propina para que sua “boa vontade” as faça cumprir seu dever.

Vi, atônito, um grande hospital fazer campanha para que os médicos e enfermeiras lavassem suas mãos, pois só isso diminuiria 30% da infecção hospitalar, dizia o cartaz. Se médicos precisam de campanha para lavar as mãos no hospital, o nosso problema é muito maior do que eu imaginava!

Mais rotina, menos campanha! Ou vamos assistir a absurdos maiores ainda, como campanhas para que a Polícia cuidar da segurança pública, campanha para que professores ensinem seus alunos, campanha para que vigias noturnos mantenham-se acordados, campanha para que juízes julguem com isenção e governantes governem com honestidade.

Pense nisso. Sucesso. E não “lave as mãos” para mais este problema nacional!

(Artigo de Luiz Martins, publicado no revista de bordo TAM Magazine, janeiro de 2006)

Estivemos recentemente, no Paraná, vivendo uma época de racionamento programado de água, que foi mais uma campanha, já acabou. Os reservatórios estão em seus níveis normais e voltamos a gastar água feito loucos.

Há mais ou menos 15-17 anos, quando ainda fazia o ensino fundamental, lia nos livros didáticos que apenas 2% da água do planeta era potável. Há uns 5 anos já ouvia na TV e jornais que apenas 1% da água do planeta era potável. Caí na real. Já sabíamos e nada fazíamos para preservar nossa água (água apenas como exemplo, para não citar ar, energia, florestas, animais, pessoas…). E daqui a 5 ou 10 anos? Quando, seguindo a contagem, não houver mais água potável no planeta? Isso não é previsão para nossos filhos e netos, é previsão para nós mesmos.

Este novo programa de Curitiba e região metropolitana deveria se tornar uma rotina, não campanha. Aprenderemos “na marra” a economizar água, energia, etc.

Releiam o artigo acima, pensem, reflitam. Fica a minha pequena colaboração.

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Blogueiro, Twitteiro, Analista de Hardware, Instrutor de Treinamento em Tecnologia, formando de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Personal Nerd.

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